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14 outubro, 2008

Tio Xixi

Outro dia estava falando com o vovô Sinésio e a vovó Diva sobre os 'Franciscos' da família. Eles me disseram que o vovô tinha um tio que se chamava Francisco, mas que todo mundo o chamava de 'Xixi'. O intressante é que o tio Xixi era o pai do primo Flósculo. Encontrei a história do tio 'Xixi' no site da família Lustosa, que reproduzo aqui embaixo:


UM POUCO DA HISTÓRIA SOBRE XIXI COMO SE FEZ JORNALISTA

Nasceu Francisco Lustosa Cabral (Xixi), na fazenda “São Bento” deste município a 21 de abril de 1871, sendo seus pais João Bento de Figueiredo da Costa Araújo e Vicência Lustosa Cabral.
Em moço dedicou-se ao comércio. Contraiu núpcias com Joana de Castro Cabral, tendo uma única filha, Olindina, falecida, e das segundas núpcias com Maria Dolores Cabral, provieram Flósculo, desaparecido há pouco tempo, Nelson, Levi, Vinicius, Wilson, Waith, Emília e Olga Lustosa.
Militou ardorosamente na política de Venâncio Neiva e com a deposição deste, em 1892, conservou-se fiel ao seu partido obedecendo, em Patos, à chefia de José Herculano Bezerra Luna que havia sido deputado à Constituinte.
Apesar do ostracismo prolongado desse partido, jamais o abandonou e deixou de se esforçar pelo seu soerguimento.
De uma feita, indo à Paraíba, (hoje João Pessoa), aproximou-se de Coriolano, seu parente afim, e depois de conversarem amistosamente foram ter com Arthur Aquiles, na redação do seu jornal.
O “pai da imprensa paraibana” ficou impressionado com a palestra do sertanejo, dado o modo desembaraçado de narrar as coisas a ponto de lembrar nessas horas, o seu nome para correspondente do jornal em Patos-Pb.
-- “Qual major Aquiles, quem sou eu para escrever em jornal desconheço a técnica da imprensa, não tenho habilitação para desempenhar o ofício”, disse.
-- “Isso não importa, faça o que puder quero é que mande seja o que for, o mais se arranja por aqui”, retorquiu Arthur Aquiles.
Quando Xixi chegou em Patos, rabiscou sua primeira notícia, enviando-a para o grande jornalista. Este, ao deparar com o artiguete, publicou-o quase sem retoques e disse: “esbocei mais um companheiro para as lides jornalísticas de minha terra”.
Deste modo, o nosso inesquecível Xixi filiou-se à vanguarda dos fazedores de jornal e tornou-se, de fato, mesmo jornalista.
Com a subida de Álvaro Machado na política da Paraíba, ficaram os venancistas apeiados, à margem, aguardando um dia ... o toque do clarim.
Sem outros recursos ou meio, foram-se aos poucos, aconchegando ao partido dominante e, ao mesmo tempo conseguindo, alguns deles, posições de certo relevo nessa política que se plantara firmemente em todo o Estado.
Com o falecimento de José Herculano, o nosso biografado e mais alguns elementos venancistas existentes em Patos tratarem de uma aproximação com a política local chefiada por Leôncio Wanderley, Manoel Gomes e Miguel Sátiro, a exemplo do que estavam fazendo noutras partes, principalmente na Capital do Estado.
Dada a capacidade de trabalho e inteligência, ficou Miguel Sátiro superintendendo a política de Patos e posteriormente comandando só, sem mais compromissos com os dois chefes relacionados.
Nessa fase Xixi . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . da política municipal e ao mesmo tempo ia incutindo-lhe no ouvido o grande prestígio de Epitácio na política nacional. Dando-se o rumoroso pleito de 1915, surgiu de fato, a figura monumental de Epitácio Pessoa com chefe e legítimo representante de Venanâncio Neiva. Sua propaganda foi destemerosa por todo o Estado, apoiada na democratização do governo Castro Pinto. Acolitado por uma plêiade vigorosa de homens da têmpera de Genésio Gambarra, com seu intemerato jornal “A Voz do Sertão”, José Peregrino, Cel. Tota, Roldão Meira, e outros conseguiu Xixi Cabral bandear Miguel Sátiro que contava com um núcleo eleitoral apreciável para as hostes epitacistas, concurso este valiosíssimo, sem o qual não conseguiriam os URUCUBACAS, o triunfo almejado naquele pleito.
Por essa adesão de Miguel Sátiro ao partido epitacista recebeu Xixi copiosos telegramas de Epitácio Pessoa, Venâncio e Pedrosa em agradecimento pelos vantajosos serviços prestados ao partido cujo êxito foi coroado de loiros pelo concurso de Patos, Teixeira e a Capital com a adesão de Miguel Sátiro, Dario Ramalho e Inácio Evaristo, respectivamente chefes das três localidades supra mencionadas.
Tempos depois da consolidação dessa política, a grel epitacista bipartiu-se em “Guelas” e “Jovens Turcos”.
Xixi Aliou-se aos “jovens turcos” e por estes nomeado chefe da mesa de renda dos municípios de Sousa e depois de Teixeira e Monteiro, cargos que desempenhou com altivez e competência.
Tomando os “Guelas” a posição de mando com a ascensão de Camilo de Holanda à presidência do Estado, ficaram os “Jovens” desprestigiados, sendo o primeiro ato desse administrador a demissão do Xixi. Só depois, no governo Solon (chefe dos Turcos), foi reparado o ato, tendo o nosso biografado exercido, ainda, o lugar de administrador das rendas do município de Batalhão, até o governo de João Pessoa.
Era assíduo colaborador da imprensa indígena e faleceu a 13 de abril do corrente ano (1948), confortado com os sacramentos da Santa Igreja Católica, deixando entre os parentes uma saudade imorredoura acrisolada no bem que em vida lhes proporcionou.

Patos, 30.04.1948

“A IMPRENSA” -- João Pessoa – Sábado, 15 de maio de 1948

08 janeiro, 2008

A vida de empresário no Brasil

Li um artigo agora a pouco intitulado O que Portugal nos legou? Um balanço de 1808-1822 e as perspectivas do presente de autoria do diplomata Paulo Roberto de Almeida, publicado na Revista Espaço Acadêmico (artigo na íntegra pode ser viasualizado clicando no link).

O autor faz um comparativo da situação econômica e política do Brasil desde a chegada da família real Portuguesa ao Brasil em 1808. Não vou copiar muita coisa do texto aqui porque acho que vale a pena ler o original, mas gostaria de parabenizar os empresários brasileiros, incluindo meus pais, pelo grande trabalho de gerenciar uma empresa no Brasil. O autor cita um exemplo interessante da quantidade de impostos cobrados no país. De acordo com uma análise feita por uma empresa internacional são necessárias 2600 horas por ano para que uma empresa cumpra todas as suas obirgações fiscais. Esse número se traduz em 352 dias de trabalho... Aqui vai o trecho, mas vale conferir o artigo para ver como era a situação no século XIX:

E agora, em matéria de impostos, taxas e contribuições, o que temos hoje? Existem, hoje, 76 tributos federais, 12 estaduais, 15 municipais, além de 5 outros “latentes”, isto é, que podem vir a ser implementados (entre eles o das “grandes fortunas”), num total de 109 impostos, taxas e contribuições, sem contar pedágios e cobranças por serviços específicos. Este é o quadro de terror tributário, sem considerar a burocracia do sistema declaratório, que consome dias e dias e de vários contabilistas, apenas para cumprir as obrigações e provar ao Estado que somos honestos e cumpridores dos nossos deveres de contribuintes (tosquiados). De fato, segundo as informações de consultorias especializadas, numa lista de 178 países, Brasil é aquele em que o empresário mais perde tempo nessa atividade: são 2.600 horas só para pagar impostos. O Brasil é campeão na quantidade de horas gastas para que uma empresa pague todos os impostos e tributos. De acordo com análise da PriceWaterhouseCoopers, com base nos dados reunidos pelo Banco Mundial, são necessárias 2.600 horas (352 dias) para que uma empresa cumpra todas as obrigações fiscais, o que deixa o Brasil em último lugar entre 178 países.
Aqui vai outro trecho, onde o autor Paulo de Almeida compara a burocracia do modelo Português, estabelecida quando o Brasil se tornou colônia, com o modelo anglo-saxão:

O que surpreende no modelo ibérico de administração, preservado em grande medida até os nossos dias, é que tudo tenha de ser autorizado ou ordenado pelo príncipe, mediante um decreto, um alvará régio, um instrumento qualquer da autoridade política. O que, por outro lado, faz a eficiência do modelo anglo-saxão de organização social e econômica, é que tudo o que não estiver expressamente proibido em alguma lei aprovada por um parlamento ou conselho, está ipso facto autorizado e aberto à iniciativa privada, exatamente o contrário do que ocorria no mundo português e ainda ocorre entre nós.

De fato, a julgar pelo PAC, o Programa de Aceleração do Crescimento, continuamos cingidos pela autoridade política, circunscritos ao que ela possa determinar, autorizar, permitir, se dignar a nos deixar trabalhar. A mania que temos de tornar toda e qualquer atividade dependente das boas graças da administração é propriamente irracional, sobretudo quando sabemos que o processo burocrático de autorizações e permissões está eivado de descaminhos corruptores.





19 abril, 2007

Camberra

Na segunda-feira, 23 de abril, terei finalmente a oportunidade de conhecer a capital Australiana. Vou participar de um seminário na Australian National University. Uns dizem que Camberra é tão chata quanto Brasília e que ela fica vazia entre sexta e segunda-feira.

As comparações não param ai. Assim como Brasília, Camberra foi planejada para ser a capital nacional em 1908 para pôr fim às candidaturas de Sydney e Melbourne. Por isso está localizada mais ou menos entre estas duas cidades.

Infelizemente só vou passar o dia na capital australiana.

06 dezembro, 2006

(Mais um) Golpe de Estado em Fiji

Desde a semana passada Fiji está passando por um golpe militar, o quarto em 20 anos, sendo o último em 2000. Na terça-feira o líder do golpe, Comodoro Frank Bainimarama, deu um ultiamto ao primeiro-ministro exigindo que ele pedisse demissão. O ultimato não foi cumprido e os militares tomaram o poder no domingo. As razões para o golpe apontadas pelo Comodoro Bainimarama são de que o primeiro ministro está envolvido em esquemas de corrupção e conduz o país com práticas de governo inadequadas.

Sempre quis ir em Fiji. Manu e eu quae fomos pra lá na nossa lua-de-mel, mas acabamos optando pelo Timor-Leste. Mais recentemente submeti um trabalho para ser apresentado numa conferência em Suva (Fiji) que foi aceito no International Pacific Marine Educators Conference entres os dias 15 e 19 de Janeiro de 2007. Recebi também um financiamento para a viagem e já estava empolgado começando a organizar o roteiro.

Hoje eu recebi um email da comissão organizadora mudando o local da conferência. Estou aguardando agora para saber se ainda vou ter o financiamento para a nova viagem. Enquanto isso, em Suva, a situação está um pouco tensa. Hoje falei com um colega da gente que é de lá e ele falou que está tudo relativamente tranquilo e sem violência. Não há toque de recolher e o comodoro estabeleceu que é pra todo mundo levar suas vidas normalmente.

26 outubro, 2006

Eleições no Brasil - O que eu tenho a ver com aquecimento global?

Venho acompanhando as eleições presidenciais pela internet aqui da Austrália. Acho eu que faltam propostas de longo prazo. Seria interessante saber o que os nosso presidenciáveis pensam sobre o que o Brasil pode se transformar em 20 ou 30 anos, ao invés de planejarem o Brasil apenas para as próximas eleições.

Estava pensando nisso depois que li a entrevista na revista Veja desta semana com o James Lovelock, o criador da hipótese Gaia - que diz que o planeta Terra funciona como um ser vivo e que qualquer alteração em uma parte do planeta afeta as outras partes. Na entrevista ele prega o uso de energia nuclear como forma de retardar o aquecimento global. O Lovelock é bastante pessimista em relação ao planeta, dizendo que o Brasil, Austrália, EUA, dentre outros países, vão sofrer muito com as mudanças climáticas por causa da queda da produção agrícola e a escassez de alimentos. Eu não sou tão pessimista assim como ele, mas a entrevista é um bom começo para se pensar que as políticas ecônomicas, ambientais e sociais têm que ser integradas e vistas a longo prazo. Por exemplo, projetos que podem afetar o clima numa região, como a transposição do São Francisco, podem ter um impacto positivo no curto prazo. Porém, a longo prazo a transposição pode afetar outras áreas do país, causando perdas sócio-econômicas, como queda na produção de alimentos. Além disso, a establização de um regime de secas e cheias, causa também impactos ecológicos diretos, como a extinção de espécies que dependem das secas e das cheias do rio. Sei que o sertão nordestino precisa de água, mas também acho que existem outras soluções mais baratas e mais eficientes. Bom, isso foi só um exemplo, dentre muitos outros. Na entrevista do Lovelock ele fala também do uso do álcool combustível que, por uma lado emite menos poluentes, mas por outro vai incentivar o desmatamento de nossas florestas para aumentar as áreas de produção de cana-de açúcar.

A mudança climática global não é um problema novo. Recentemente foi descoberto um fóssil de peixe aqui na Austrália, com cerca de 380 milhões de anos (foi também notícia no Brasil). O fóssil é do período Devoniano, um período geológico onde a Terra possuia níveis de CO2 atmosférico entre 10 e 12 vezes mais elevados que os atuais e, como consequência as temepraturas também eram consideravelmente mais altas. O Devoniano foi também o período onde as florestas tropicais começaram a se desenvolver. No final desse período houve uma extinção em massa, comparável a extinção dos dinossauros do Cretáceo, onde ocorreu o desaparecimento de cerca de 60% das espécies viventes então. Uma hipótese é que com o crescimento das florestas o CO2 passou a ser absorvido rapidamente e houve uma diminuição acentuada nas concentrações deste gás na atmosfera e, consequentemente, uma diminuição abrupta da temperatura do planeta. Como resultado as calotas polares congelaram, ocasionando uma regressão do nível relativo do mar. Olha ai a hipótese Gaia de novo...

O grande problema do aquecimento global atual é que o homem é o maior causador das emissões dos gases estufa, como o CO2. O ambientalista David Suzuki (que é contra o uso de energia nuclear) enfatiza que a comunidade científica só se deu conta do probema do aquecimento global no início deste século. O Lovelock, na sua entrevista, diz que se a consciência sobre sustentabilidade do planeta houvesse ocorrido quando população da Terra era de 1 bilhão de pessoas, talvez os efeitos do aquecimento global não seriam tão intensos. Ele diz que com 6 bilhões de habitantes é praticamente impossível pensar numa redução na emissão de poluentes sem levar em conta o uso de energia nuclear. Ele diz o seguinte: "Cem gramas de urânio equivalem a 200 toneladas de carvão, em termos de energia gerada. Com 100 gramas de urânio não se produzem mais do que 100 gramas de lixo atômico, enquanto a poluição emitida pela queima de 200 toneladas de carvão é de 600 toneladas de dióxido de carbono. Entre 100 gramas e 600 toneladas de resíduos, é óbvio que o carbono é um problema maior".

Sim, mas o que que eu tenho a ver com o aquecimento global? A própria história da chegada dos meus antepassados no Brasil (vejam ai o post do Toussaint Gurgel) pode estar relacionada com mudanças climáticas. O 'vovô' Toussaint chegou ao Brasil no século XVI, portanto dentro do período conhecido como 'a pequena idade do gêlo'. Durante essa época ocorreu um resfriamento no clima principalmente no hemisfério norte. As baixas temperaturas causaram declínios na produção agrícola e é provável que as grandes navegações foram, em parte, impulsionadas pela escassez de alimentos. Portugal e Espanha saíram na frente, mas depois vieram França, Holanda e Inglaterra. É ai que entra em cena o vovô Toussaint Gurgel. Na condição de corsário Francês, ele tentava beneficiar conquistando uma parte do Brasil, um provável centro produtor de alimentos e, é claro, de outras riquezas naturais. Houve também um importante fator religioso na história. Portanto, não seria errado dizer que o vovô Toussaint talvez estivesse envolvido em um dos primeiros conflitos armados como consequência das mudanças climáticas que o mundo estava passando.

Alckmin ou Lula, não seria mesmo interessante pensar a longo prazo?